Uma inusitada maneira de olhar as coisas

O Pé de Vento estreia O Senhor Valéry no dia 1 de Maio, às 21h45.

Um espectáculo a partir do texto de Gonçalo M. Tavares, encenado por João Luiz.

Em cena no Teatro da Vilarinha até 30 Maio.



O Senhor Valéry era pequenino, andava sempre a pé, vestia sempre de negro. Tinha medo da chuva, tinha uma casa sem volume onde passava férias e um animal doméstico que nunca ninguém tinha visto. Não gostava da sua sombra, não gostava de competir, era perfeccionista. Era distraído: não confundia a mulher com um chapéu, com sucedia com algumas pessoas, mas confundia o chapéu com o seu cabelo. Conhecia apenas duas pessoas: a pessoa que ele era, nesse exacto instante, e aquela que ele tinha sido, no passado. Era casado com um ser ambíguo, como ele próprio dizia. Dele, dizia ela: Nunca eu pude apoderar-me dos seus olhares. Ele é tão estranho! Na verdade nada se pode dizer dele que não seja inexacto no mesmo instante! Eu gosto dele assim. Por muito estranhamente casada que eu seja, sou-o com conhecimento de causa. Vivemos bem instalados, cada qual no seu absurdo.

O Senhor Valéry
é, porventura, o texto que revelou Gonçalo M. Tavares, cujo reconhecimento lhe mereceu a atribuição do Prémio Branquinho da Fonseca (da Fundação Calouste Gulbenkian e do jornal Expresso). Foi o primeiro, em 2003, outros prémios se seguiram.

O Senhor Valéry está na origem do conjunto de Senhores que formam O Bairro, de entre os quais o Pé de Vento estreou em 2007 O Senhor Juarroz. Agora, com O Senhor Valéry, o queremos continuar a dar a conhecer ao nosso público Gonçalo M. Tavares, um autor que tem uma maneira inusitada de olhar para as coisas, de apreender o mundo como anomalia. É um olhar que, em vez de tornar as coisas imediatamente presentes, procede por tentativas que são sempre da ordem da linguagem, (…) lógica das palavras, composição e descomposição do sentido.


FICHA TÉCNICA

texto Gonçalo M. Tavares

encenação João Luiz

cenografia João Calvário | Rui Azevedo

figurinos Susanne Rösler

desenho de luz Rui Damas

música Pedro Junqueira Maia

vídeo-animação Hugo Valter Moutinho

interpretação Anabela Nóbrega | Rui Spranger


O espectáculo está classificado para maiores de 10 anos e tem duração de cerca de uma hora.


HORÁRIO

6ªs feiras às 21h45 e sábados às 16h00 e 21h45, para o público em geral;

3ª a 6ª feira, às 11h00 e 15h00, para o público escolar.


"Fugit Irreparabile Tempus" de Álvaro Salazar

Domingo, 22 de Março | 17h00


O Atelier de Composição lança a sua primeira edição em CD: FUGIT IRREPARABILE TEMPUS, obras solísticas e de câmara de ÁLVARO SALAZAR, com interpretações da OFICINA MUSICAL, grupo formado pelo autor.

A apresentação estará a cargo de Mário Vieira de Carvalho, que conduzirá uma conversa informal com Álvaro Salazar.

Seguem-se duas estreias:

- 1ª audição pública de PUZZLE SEGUNDO, para percussão, num trabalho de Nuno Aroso, baseado em Estudos Incomunicantes, de Álvaro Salazar;

- Criação coreográfica de Né Barros para Intermezzo II/A, obra integrante do CD, que será interpretada por Joana Castro (bailarina) e Nuno Aroso, Pedro Oliveira, Manuel Campos e Mário Teixeira (percussionistas).


A edição de Fugit Irreparabile Tempus reveste-se de especial importância, não só pela obra, de inegável reconhecimento, mas igualmente por ser o primeiro registo audio monográfico dedicado ao compositor e maestro Álvaro Salazar, sem dúvida um dos mais importantes criadores musicais portugueses contemporâneos, e que no ano transacto celebrou 70 anos de vida.

Mais info:
atelierdecomposicao.synthasite.com | atelierdecomposicao.blogspot.com


História de Um Segredo

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De Álvaro Magalhães, com encenação de João Luiz (m/4 anos)

De 3 a 21 de Fevereiro, na Galeria da Biblioteca Municipal Almeida Garrett.

a às 11h00 e 15h00 (para público organizado)
sábado às 16h00 (para público geral)

Com História de Um Segredo, Álvaro Magalhães recria um motivo tradicional, presente em diversas culturas. Um rei poderoso, incapaz de suportar o segredo que guarda desde pequeno, conta-o a um seu criado. “Se o deixares escapar, pagarás com a tua própria vida”, avisa o rei. “É fácil”, pensou o criado, “basta não o contar”. Mas aquele segredo não era um segredo qualquer. Estava vivo. E o que ele mais queria era deixar de ser um segredo. E depois?

Bem, esse é o segredo que só o Pé de Vento pode contar.







ficha técnica


texto Álvaro Magalhães
encenação João Luiz
cenografia João Calvário | Cristina Lucas
figurinos Susanne Rösler
música Tilike Coelho
desenho de luz Rui Damas
interpretação Anabela Nóbrega



Preço dos bilhetes: 6€; 4,50€ (reduzido), 3,40€ (grupos)

V+ Companhia de Teatro estreia Belas Atrozes


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De 15 a 31 de Janeiro 2009, no Teatro da Vilarinha
s, s e sábados, 21h30

A recém criada V+ Companhia de Teatro estreia 4ª feira, 15 de Janeiro, às 21h30, Belas Atrozes, da dramaturga mexicana Elena Guiochíns, com encenação de Viriato Morais.
Belas Atrozes, um espectáculo que explora a amizade romântica e amor entre mulheres desde a época Vitoriana até aos nossos dias, fica em cena até 31 de Janeiro, 5ªs, 6ªs e sábados, às 21h30.

Belas Atrozes propõe uma interpretação peculiar da identidade e imagem feminina; aquele tipo de mulher que tanto inquieta a sociedade, em oposição à mulher natural (esposa - mãe). Uma mulher em busca da sua identidade desdobra-se em três mulheres distintas. Eva, Maria e Lilith encarnam as origens e as circunstâncias da sexofobia, numa trama de emoções contraditórias e polarizadas, que oscilam entre o fascínio e o aborrecimento, entre a atracção sexual e o pânico do abismo, sem uma visível solução de continuidade.

Trata-se do primeiro espectáculo do Ciclo de Autores Latinos e Lusófonos Contemporâneos, a realizar nos próximos quatro anos pela V+ Companhia de Teatro e que reflecte uma das suas vertentes: a que se relaciona com as componentes de promoção e divulgação de Teatro de Autores Desconhecidos.


foto António Rodrigues
















 


FICHA TÉCNICA

texto Elena Guiochíns
tradução Viriato Morais
encenação Viriato Morais
elenco Isabel Queirós, Marta Carvalho, Olinda Rocha e Susana Oliveira
figurinos Alex de Brito
cenografia Viriato Morais e Alex de Brito
desenho de luz-concepção sonora Igor Pittella e Carlos Valente
responsável artístico Viriato Morais
direcção de produção Ana Carolina Avilez
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História do Sábio fechado na sua Biblioteca

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De 15 de Dezembro a 1 de Fevereiro 2009, na Galeria da Biblioteca Municipal Almeida Garrett.

a às 11h00 e 15h00 (para público organizado)
sábado e domingo às 16h00 (para público geral)

A mais recente história de Manuel António Pina, encenada por João Luiz (m/ 6 anos).


Era uma vez um Sábio chinês que vivia há muitos anos fechado na sua Biblioteca e sabia tudo, tudo. Nada do que existia, e até do que não existia, tinha para ele segredos. Sabia quantas estrelas há no céu e quantos dias tem o mundo. Conversava com os animais e com as plantas e conhecia o passado, o presente e o futuro. Ora, como conhecia todas as coisas, a sua vida era, claro, muito triste e desinteressante. Mesmo as coisas mais misteriosas, como, por exemplo, os cortinados agitando-se com o vento, ou, à noite, os móveis rangendo como se falassem uns com os outros, não tinham para ele qualquer mistério. Até que um dia um estrangeiro bateu à porta da Biblioteca…


FICHA TÉCNICA

texto Manuel António Pina
encenação João Luiz
cenografia João Calvário | Rui Azevedo
figurinos Susanne Rösler
máscaras Mestre Esteves | Tozé
música original Pedro Junqueira Maia
desenho de luz Rui Damas
interpretação Rui Spranger | Sara Paz




Preço dos bilhetes: 6€; 4,50€ (reduzido), 3,40€ (grupos)
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Pé de Vento – 30 Anos

Exposição dos 30 anos do Pé de Vento, na Galeria da Biblioteca Almeida Garrett, no Porto.

Inauguração sábado, 13 Dezembro 2008, às 16h00Patente até 22 de Fevereiro 2009
3ª feira a sábado 10h00-18h00 | domingos 14h00-18h00
Entrada livre

Visitas guiadas às 3ªs feiras, 11h00, e 6ªs feiras, 15h00

AVasconcelos
Toda a trajectória artística supõe diversos percursos e etapas. Em 1978 quando o “grupo” de teatro Pé de Vento iniciou esta sua caminhada, sabia onde queria chegar, embora desconhecesse as encruzilhadas e os obstáculos que teria de ultrapassar. O percurso estético, esse, foi sendo construído a par e passo clarificando-se espectáculo a espectáculo.

O Teatro, o espectáculo teatral, é por essência pluridisciplinar, na medida em que convoca para o palco todas as outras artes. E é também efémero, porque no momento em que o pano desce sobre a última representação e a presença do actor se desvanece o que fica são fragmentos – textos, cenários, figurinos, máscaras, adereços… – que deram verosimilhança às personagens ou enquadraram os actores no acto de criação das suas vidas imaginárias e dispersas por múltiplos tempos.

Desde a sua fundação que o Pé de Vento concebeu a sua actividade como uma companhia, ou seja: algo mais que um simples grupo de pessoas que se junta para fazer teatro. A cumplicidade, o afecto, a liberdade e o respeito pelo trabalho de cada um dos nossos colaboradores levou-nos sempre a procurar preservar os elementos que, ao longo dos anos, têm marcado o trajecto estético e artístico da companhia. Tanto mais que esses elementos, após a sua presença em palco, passaram a pertencer também ao público, tornando-se património comum.

E assim se foi construindo e organizando este espólio, que se tornou necessário preservar, e transformou a companhia no seu único fiel depositário. Em certo sentido, também o tempo e a memória se encarregaram de fazer a sua própria escolha.

São esses fragmentos dispersos que agora se reúnem nesta exposição, concebida para assinalar os 30 anos do Pé de Vento e, antes de mais, dedicada ao público que tem acompanhado e apoiado a nossa actividade ao longo de três décadas.

Para o Pé de Vento, esta exposição constitui um momento importante de reflexão sobre o nosso próprio trabalho; sobre a nossa concepção de teatro; sobre a nossa abordagem da expressão contemporânea no teatro; sobre as cumplicidades que se foram gerando; sobre os públicos que nos têm acompanhado e que cresceram connosco; sobre…

Retirados os objectos expostos do contexto inicial, desfeitos os segredos, pode agora o visitante tornar-se espectador activo: sonhar, entrar em cena e, também ele, viver um mundo de faz de conta. Ou melhor: representar a brincar uma vida a sério.

A par da exposição, e no mesmo espaço, o Pé de Vento leva à cena dois espectáculos encenados por João Luiz:



História do Sábio fechado na sua Biblioteca
, de Manuel António Pina 
De 15 de Dezembro a 1 de Fevereiro 2009
3ª a 6ª às 11h00 e 15h00; sábado e domingo às 16h00
M/ 6 anos



 


História de um Segredo, de Álvaro Magalhães
De 3 a 21 de Fevereiro 2009
3ª a 6ª às 11h00 e 15h00; sábado às 16h00
M/4 anos





Preço dos bilhetes: 6€; 4,50€ (<25>65 anos); 3,40 (grupos)
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PRESENÇA DA POESIA

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Nos dias 13, 14 e 15 de Novembro 2008 a poesia vai subir ao palco do Teatro da Vilarinha.

No dia 13 será apresentado para público geral um projecto iniciado o ano passado pelo Pé de Vento, "Palavras para que vos quero" que tem como objectivo cativar o interesse dos mais jovens para este género literário.

No dia 14 a Livraria Poetria organiza a sessão com vários convidados e que será dedicada à poesia alemã.

Para terminar, no dia 15 o poeta, actor e encenador Manuel Cintra apresenta O Problema da Habitação e O Poder Ultra-jovem, um recital que coloca em diálogo o poeta português Ruy Belo e o brasileiro Carlos Drummond de Andrade.

O Preço dos bilhetes é de 5€ por espectáculo e de 10€ para os 3 recitais.

Nota: Este Presença de Poesia seria suposto prolongar-se por dois fins-de-semana (sexta e sábado) sendo um dos convidados (previsto para o dia 21 de Novembro) o poeta e dizeur Joaquim Castro Caldas, que infelizmente faleceu no dia 31 de Agosto. Assim, optámos por concentrar 3 sessões num único fim-de-semana (quinta, sexta e sábado).

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