Cumplicidade artística

Damos início à nova temporada do Teatro da Vilarinha com a estreia absoluta de um original encomendado a Paulinho Oliveira. Trata-se de uma encomenda proposta por Rui Spranger e feita na altura em que Pé de Vento o convidou para encenar o espectáculo de abertura da temporada 2009/10.

Ratos e Borboletas na Barriga é o resultado desta parceria, à qual se vieram juntar, um pouco mais tarde, Rui Damas e o músico Blandino, ambos colaboradores e cúmplices do Pé de Vento em vários espectáculos levados à cena no Teatro da Vilarinha, no decurso da última década.

Esta cumplicidade artística, que se gerou ao longo do processo de criação de alguns dos mais significativos espectáculos levados à cena pela companhia, veio permitir que, em conjunto com os restantes colaboradores, sejam agora estes criadores mais jovens os responsáveis pela concretização de projectos que, pela diferença, passam a integrar a programação anual do Pé de Vento.


Ratos e Borboletas na Barriga é, pois, o produto desta estimulante sinergia que, naturalmente, também fará sentir coisas estranhas na barriga aos seus criadores quando o pano abrir…

A Direcção


RATOS E BORBOLETAS NA BARRIGA

Em cena de 31 de Outubro a 29 de Novembro

Ratos e Borboletas na Barriga, espectáculo com texto de Paulinho Oliveira e encenação de Rui Spranger, estreia no dia 31 de Outubro, sábado, às 21h45, no Teatro da Vilarinha.

Ratos e Borboletas na Barriga conta a história de amor entre dois adolescentes de diferentes cores e diferentes estratos sociais. Se, com o aparecimento do primeiro amor já cada uma das personagens se depara com essa estranha sensação de ratos e borboletas a crescerem nas entranhas, imagine-se a quantidade de provações que estes dois jovens vão ter de ultrapassar quando se depararem com muitas das ideias feitas, resultantes da diferença da cor da pele e das escalas socioculturais. Por outras palavras, um questionamento das problemáticas ligadas à miscigenação e ao inter-culturalismo.

A interpretação cabe à actriz Odete Mosso e ao actor, cantor e compositor Fernando Fernandes (FF).

A cenografia é de João Calvário, a assistência de cenografia e os graffitis são de Rui Azevedo, o desenho de luz de Rui Damas, os figurinos de Susanne Rösler e a música de Blandino.

O jovem escritor de origem angolana Paulinho Oliveira, que também já foi actor no Pé de Vento, recebeu, em 2000, o Grande Prémio INATEL/Teatro – Novos Textos com a peça Blacklight MC, e, em 2002, o Prémio Revelação de Literatura para a Infância e a Juventude da Associação Portuguesa de Escritores/Instituto Português do Livro e das Bibliotecas. com o conto As aventuras de Vicente Feijão.

Ratos e Borboletas na Barriga corresponde à primeira encenação de Rui Spranger para a companhia Pé de Vento, com a qual colabora, enquanto actor, há 12 anos. No entanto, o espectáculo concretizará a 11ª encenação do seu percurso artístico.

O espectáculo, classificado para maiores de 8 anos de idade, estará em cena de 31 de Outubro a 29 de Novembro: sábados às 16h00 e 21h45, e domingos às 16h00. Sessões para o público escolar de 3ª a 6ª feira, às 11h00 e às 15h00.


"História do Sábio fechado na sua Biblioteca" viaja até ao Algarve

Sábado, 19 de Setembro, o Pé de Vento apresenta História do Sábio fechado na sua Biblioteca, de Manuel António Pina, na Sala Polivalente da recém inaugurada Biblioteca Municipal António Vicente Campinas, em Vila Real de Santo António. O espectáculo, com encenação de João Luiz, tem início às 14h30.

Era uma vez um Sábio chinês que vivia há muitos anos fechado na sua Biblioteca e sabia tudo, tudo. Nada do que existia, e até do que não existia, tinha para ele segredos. Sabia quantas estrelas há no céu e quantos dias tem o mundo. Conversava com os animais e com as plantas e conhecia o passado, o presente e o futuro. Ora, como conhecia todas as coisas, a sua vida era, claro, muito triste e desinteressante. Mesmo as coisas mais misteriosas, como, por exemplo, os cortinados agitando-se com o vento, ou, à noite, os móveis rangendo como se falassem uns com os outros, não tinham para ele qualquer mistério. Até que um dia um estrangeiro bateu à porta da Biblioteca…

História do Sábio fechado na sua Biblioteca é a mais recente história de Manuel António Pina. Estreou no Teatro da Vilarinha, em Junho de 2008 e esteve em cena durante cerca de um mês. O espectáculo foi um dos pontos altos das comemorações dos 30 anos da companhia de teatro Pé de Vento, desde sempre vocacionada para o público infanto-juvenil, sendo que Manuel António Pina foi precisamente o autor da primeira peça que a companhia apresentou em Julho de 1978. No final do ano passado, o espectáculo voltou à cena, desta vez na Galeria da Biblioteca Municipal Almeida Garrett, no Porto, no âmbito da exposição alusiva ao aniversário, patente naquele espaço.

O espectáculo está classificado para maiores de 6 anos de idade e tem duração de cerca de 50 minutos.


Ficha técnica

texto Manuel António Pina

encenação João Luiz

cenografia João Calvário | Rui Azevedo

figurinos Susanne Rösler

máscaras Mestre Esteves e Tozé

música Pedro Junqueira Maia

desenho de luz Rui Damas

interpretação Rui Spranger | Sara Paz


A Asa e A Casa

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spectáculo de Teresa Rita Lopes, no Museu Nacional Soares dos Reis

Sábado, 27 de Junho | 16h00 uma nova estreia para o público em geral

















O Pé de Vento repõe A Asa e A Casa, de Teresa Rita Lopes, no Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto (Rua D.Manuel II). O espectáculo, para maiores de 6 anos, é encenado por João Luiz e estará em cena de 26 de Junho a 26 de Julho.

A Asa e a Casa conta a história do encontro entre um bonecreiro saltimbanco que anda de praia em praia e uma vendedeira de bolos que desce da serra até à praia para vender os seus deliciosos doces. Ele leva às costas a barraquinha de fantoches carregada de sonhos, ela leva à cabeça o cesto carregado de guloseimas. Ele percorre o mundo, ela vive no campo; não só não se conhecem, como cada um desconhece a forma de vida do outro.

O espectáculo tem encenação de João Luiz, cenografia de João Calvário, figurinos de Susanne Rösler, desenho de luz de Rui Damas e movimento de Ruben Marks.

Rui Spranger e Sónia Correia interpretam o bonecreiro e a vendedeira. Blandino é o músico.

A Asa e A Casa estreou em Julho de 2003, no Núcleo Rural do Parque da Cidade. Nesse ano, viajou até à Figueira da Foz e até à Galiza, Espanha. Em Março de 2004 o espectáculo foi apresentado no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, a propósito do lançamento da obra homónima de Teresa Rita Lopes. E nesse Verão voltou ao parque da cidade do Porto. Em Junho e Julho de 2005 foi apresentada na Biblioteca Municipal Almeida Garrett, no Porto.

Estará agora em cena com sessões para o público em geral aos sábados e domingos, às 16h00. As sessões para o público escolar terão lugar terças-feiras de tarde, às 15h00, e de quarta a sexta-feira, às 11h00 e 15h00.

Preço dos bilhetes: €4,50 crianças e €6,00 adulto. Grupos de 10 pessoas, €3,40 cada.

Reservas através de contacto para o Teatro da Vilarinha.

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Uma história sobre o medo do escuro

Acende a Noite no Teatro da Vilarinha, de 6 a 21 de Junho

Espectáculo de José Caldas, para maiores de 4 anos

















Acende a Noite, de José Caldas a partir da obra de Ray Bradbury, estreia sábado, 6 de Junho, às 21h30, no Teatro da Vilarinha, no Porto. O espectáculo, para maiores de 4 anos, fica em cena até 21 de Junho: sextas às 21h30; sábados às 16h00 e 21h30; e domingos às 16h00. À semana, estão previstos espectáculos para as escolas, sujeitos a marcação.

Um rapaz não gosta da noite. Ele ama todas as espécies de luzes e o sol amarelo. Seu quarto, no coração da noite, é o único iluminado em toda a cidade. Mas ele vê os outros rapazes que jogam à noite entre claro-escuro dos lampiões. Ele também gostava de jogar mas... Um dia chega a escuridão, uma menina que brinca com ele. Uma história para nos fazer reflectir sobre o nosso medo da sombra, do nosso lado mais escondido e inquietante, mas cheio de maravilhas insuspeitas.

O resumo é de José Caldas, que criou o espectáculo, livremente inspirado na obra de Ray Bradbury e com poemas de Jorge Sousa Braga. Em cena, José Caldas e os seus bonecos.

“Em criança eu gostava muito de brincar com bonecas”, conta. “Mas era terminantemente proibido. Bonecas era coisa de meninas. Como se o acto ameaçasse a nossa masculinidade inoculando o vírus do feminino. Ameaça que o poder do escuro, da noite, (yn) fizesse despertar no luminoso e quente (yang) masculino a parcela de mulher que habita o nosso selvagem coração. O curto conto de Bradbury nos inspirou a reinventar teatralmente este estranho e exaltante prazer de contactar com a nossa parcela feminina. Poder brincar livremente com bonecas/marionetas que representam o nosso duplo neste grande espelho interior e reflexivo que é o teatro. Entre a narração e vivência, entre o sonho e a realidade, penetramos no interior da terra, no reino das deusas mães, para reacender a escuridão intuída na infância e recusada no adulto mundo da razão.”


FICHA TÉCNICA

Acende a Noite, conto de Ray Bradbury

adaptação, encenação e interpretação José Caldas

cenografia José António Cardoso

bonecos Marta Silva

música e assistência de encenação Miguel Rimbaud

construção de cenografia Rui Azevedo

desenho de luz Equipa de Criação

operação de luz Artur Rangel

produção Quinta Parede

www.scholaris.info/quintaparede

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Uma inusitada maneira de olhar as coisas

O Pé de Vento estreia O Senhor Valéry no dia 1 de Maio, às 21h45.

Um espectáculo a partir do texto de Gonçalo M. Tavares, encenado por João Luiz.

Em cena no Teatro da Vilarinha até 30 Maio.



O Senhor Valéry era pequenino, andava sempre a pé, vestia sempre de negro. Tinha medo da chuva, tinha uma casa sem volume onde passava férias e um animal doméstico que nunca ninguém tinha visto. Não gostava da sua sombra, não gostava de competir, era perfeccionista. Era distraído: não confundia a mulher com um chapéu, com sucedia com algumas pessoas, mas confundia o chapéu com o seu cabelo. Conhecia apenas duas pessoas: a pessoa que ele era, nesse exacto instante, e aquela que ele tinha sido, no passado. Era casado com um ser ambíguo, como ele próprio dizia. Dele, dizia ela: Nunca eu pude apoderar-me dos seus olhares. Ele é tão estranho! Na verdade nada se pode dizer dele que não seja inexacto no mesmo instante! Eu gosto dele assim. Por muito estranhamente casada que eu seja, sou-o com conhecimento de causa. Vivemos bem instalados, cada qual no seu absurdo.

O Senhor Valéry
é, porventura, o texto que revelou Gonçalo M. Tavares, cujo reconhecimento lhe mereceu a atribuição do Prémio Branquinho da Fonseca (da Fundação Calouste Gulbenkian e do jornal Expresso). Foi o primeiro, em 2003, outros prémios se seguiram.

O Senhor Valéry está na origem do conjunto de Senhores que formam O Bairro, de entre os quais o Pé de Vento estreou em 2007 O Senhor Juarroz. Agora, com O Senhor Valéry, o queremos continuar a dar a conhecer ao nosso público Gonçalo M. Tavares, um autor que tem uma maneira inusitada de olhar para as coisas, de apreender o mundo como anomalia. É um olhar que, em vez de tornar as coisas imediatamente presentes, procede por tentativas que são sempre da ordem da linguagem, (…) lógica das palavras, composição e descomposição do sentido.


FICHA TÉCNICA

texto Gonçalo M. Tavares

encenação João Luiz

cenografia João Calvário | Rui Azevedo

figurinos Susanne Rösler

desenho de luz Rui Damas

música Pedro Junqueira Maia

vídeo-animação Hugo Valter Moutinho

interpretação Anabela Nóbrega | Rui Spranger


O espectáculo está classificado para maiores de 10 anos e tem duração de cerca de uma hora.


HORÁRIO

6ªs feiras às 21h45 e sábados às 16h00 e 21h45, para o público em geral;

3ª a 6ª feira, às 11h00 e 15h00, para o público escolar.


"Fugit Irreparabile Tempus" de Álvaro Salazar

Domingo, 22 de Março | 17h00


O Atelier de Composição lança a sua primeira edição em CD: FUGIT IRREPARABILE TEMPUS, obras solísticas e de câmara de ÁLVARO SALAZAR, com interpretações da OFICINA MUSICAL, grupo formado pelo autor.

A apresentação estará a cargo de Mário Vieira de Carvalho, que conduzirá uma conversa informal com Álvaro Salazar.

Seguem-se duas estreias:

- 1ª audição pública de PUZZLE SEGUNDO, para percussão, num trabalho de Nuno Aroso, baseado em Estudos Incomunicantes, de Álvaro Salazar;

- Criação coreográfica de Né Barros para Intermezzo II/A, obra integrante do CD, que será interpretada por Joana Castro (bailarina) e Nuno Aroso, Pedro Oliveira, Manuel Campos e Mário Teixeira (percussionistas).


A edição de Fugit Irreparabile Tempus reveste-se de especial importância, não só pela obra, de inegável reconhecimento, mas igualmente por ser o primeiro registo audio monográfico dedicado ao compositor e maestro Álvaro Salazar, sem dúvida um dos mais importantes criadores musicais portugueses contemporâneos, e que no ano transacto celebrou 70 anos de vida.

Mais info:
atelierdecomposicao.synthasite.com | atelierdecomposicao.blogspot.com